Sistema permite que robôs e personagens virtuais movam os olhos como os humanos. Isso permite maior interação social e melhor percepção dos ambientes e pessoas.
Conversar com uma pessoa que aparentemente não presta atenção no que está sendo falado e não realiza contato visual é bastante desagradável. Quando essa interação é feita com personagens virtuais ou robôs isso é ainda pior; por isso, pesquisadores na França desenvolveram um software que permite que robôs e representações virtuais de humanos interajam em uma conversação com contato visual do mesmo modo que realizamos na vida real.
O novo software permite que o robô olhe para cenas e pessoas como os humanos fazem. O objetivo é tornar o relacionamento entre essas representações virtuais e robóticas com os humanos mais fácil.
Segundo o site da publicação “New Scientist”, os seres humanos, assim como outros animais, não olham de maneira firme para uma cena. Nossos olhos estão constantemente envoltos em movimentos rápidos e inconscientes. Eles são os responsáveis por apontar partes interessantes da cena, utilizadas pelo cérebro para construir um mapa mental.
Gerard Bailly e seus colegas do Instituto Nacional Politécnico de Grenoble desenvolveram o software, que imita os padrões utilizados pelos humanos para essa interação. Com ele, um robô ou humano virtual visualiza o ambiente da mesma forma e se fixando nos mesmos locais, por períodos semelhantes, que as pessoas fariam. No vídeo no YouTube acima, a equipe mostra um personagem virtual com o software, utilizando os mesmos padrões de visualização que um humano.
O modelo é baseado em uma criação pioneira de 2003, desenvolvida na Universidade da Califórnia do Sul, nos EUA, para imitar a visão humana. Ele lida com as cenas de três maneiras: buscando por ‘saliências’ ou as partes mais destacadas visualmente em uma cena, ‘pertinência’, ou partes mais importantes e ‘atenção’, que temporariamente inibe regiões que não são mais interessantes.
A equipe de Bailly adicionou diversos novos mecanismos. Uma área de atenção tenta imitar de maneira melhor o modo como humanos dão prioridade para áreas interessantes, enquanto outro módulo reconhece certos objetos familiares, como faces. Isso permite que o software foque os olhos em detalhes particulares de cenas em horas relevantes, como na boca e olhos de uma pessoa enquanto conversa com ela.
Os pesquisadores já testaram o modelo em conversações face a face, na qual pessoas interagiram com um humanóide equipado com o software. Para eles, o sistema será crucial para dar a robôs e representações virtuais movimentos semelhantes aos humanos e boas habilidades sociais. Além disso, ao utilizar a mesma estratégia visual que uma pessoa, os robôs equipados com o sistema podem coletar informações do mesmo modo que um humano faria em determinada cena.
{Fonte: G1}