Feira de Tecnologia & Simpósio Internacional de Inovação
Evento de Tecnologia da Informação e Comunicação e também de inovação, realizado entre os dias 19 e 21 em Salvador – BA, que contou com a participação de experts no que diz respeito à inovação, parques tecnológicos e apoio a novos empreendedores e suas idéias.
De cara conclui-se que a única saída para o terceiro mundo é a educação, educação e mais educação através da articulação de políticas de investimento e integração.
O ponto alto do evento já aconteceu antes mesmo de ele começar. Foram as inscrições gratuitas que possibilitaram a participação do público empreendedor à troca de conhecimento com pessoas que, posso certamente dizer serem “do mundo”, em um evento internacional de alto nível.
Chega a ser visionária a iniciativa do Governo da Bahia através da Fapesb – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – convidar palestrantes de tão alto quilate.
Nas duas sessões plenárias moderadas pelos senhores Robert Evan Verhine e Elias Ramos de Souza, respectivamente Diretor Científico e Diretor de inovação da Fapesb, percebeu-se claramente a necessidade que urge em mesclar o mundo acadêmico com a realidade corporativa das grandes empresas. Principalmente no Nordeste, onde o único grande expoente é o parque tecnológico CESAR de Recife.
A primeira plenária realizada no dia 20 contou com a participação de representantes da Alemanha (Gabrielle Althoff1), Canadá (Miriam Bekkouche2), França (Terry Shinn3), EUA (Gary Evans4) e Brasil (Eduardo Costa5). Os representantes internacionais com profunda expertise na elaboração e gestão de parques tecnológicos buscaram passar um pouco de sua vivência não só no investimento, na criação destes parques, mas como administrá-los e gerar a inovação no solo soteropolitano. A opinião unânime dos representantes internacionais foi de que ciência e tecnologia e pesquisa e desenvolvimento devem ser amplamente apoiadas através de parcerias articuladas entre iniciativas públicas e privadas. Mundo acadêmico e corporativo. Em todas estas experiências é ponto pacifico haver a isenção parcial e/ou total de impostos no apoio à pesquisa e busca de novas tecnologias e produtos que trarão benefícios a médio e longo prazo para as comunidades próximas ou não aos parques.
Gary Evans discorreu com muita propriedade ao citar que a Bahia pode e deve queimar algumas etapas na construção de seu futuro parque tecnológico mostrando que este deve estar geograficamente localizado próximo a empresas e toda a vida urbana que o apoiará em sua existência, promovendo, assim, uma maior integração entre seus membros. Disse que é até mesmo uma grande oportunidade para o mercado da construção civil e serviços.
O Canadá busca ampliar suas parcerias internacionais com os mercados emergentes do Brasil, China e Índia estimulando a formação e retenção de novos doutores, mestres e PHDs. Do BRIC só citou os três acima.
França e Alemanha também demonstram projetos de longo prazo atraindo novos talentos através de linhas de créditos exclusivas estabelecendo prioridades educacionais.
Eduardo Costa da FINEP destacou que um dos entraves para o bom andamento de um projeto inovador é eliminação da burocracia. Quando há quatro anos chegou à FINEP disse que o tempo entre análise e a liberação de financiamentos era de aproximadamente 18 meses. Eliminando a papelada, briga para que este tempo chegue a 30 dias. Sinalizou que no próximo dia 04/12/2008 será lançado o programa Primeira Empresa com duas rodadas de negociação de até R$ 120.000,00 de subvenção, no qual possivelmente a primeira etapa será dinheiro realmente dado e a segunda a juros subsidiados de longo prazo.
Na segunda sessão plenária foram pinçados quatro bahianos que atualmente moldam ou já construíram suas carreiras no exterior através de programas de bolsas de mestrados e doutorados. Espanha, Suécia, Alemanha e Estados Unidos os receberam colocando-os à frente de pesquisas de ponta nos mercados de nanotecnologia, farmacêutico e de informática.
Carlos Moysés Araujo que está na Universidade de Uppsala na Suécia – que possui 600 anos de existência – pesquisa através da nanotecnologia como programar motores de hidrogênio no cotidiano mundial de forma a trazer a redução da emissão de CO2 combatendo a elevação das temperaturas. Eduardo Argollo é pesquisador do HP Labs em Barcelona onde busca, através da criação de clusters de computação com mais de 15.000 processadores, chegar ao desafio de aperfeiçoar softwares a processarem cada vez mais rápido sem haver desperdício da capacidade do hardware. Já Eduardo Almeida, que foi palestrante recente em evento da NASA nos EUA, está à frente da RiSE (www.rise.com.br), que foi encubada no parque tecnológico CESAR de Recife e hoje já promove, através da metodologia de reuso de software, a oferta ao mercado corporativo de serviços e produtos que desenvolvem novos programas em menor tempo, queimando etapas e reduzindo custos. Antônio José dos Santos, que após mais de uma década no exterior retornou ao Brasil para liderar pesquisas de novos fármacos na Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, destacou a grande necessidade de trabalho integrado entre universidades e empresas de forma a otimizar a linha de produção de novos e revolucionários medicamentos. Onde a universidade desempenha o papel da pesquisa básica entregando às empresas serviço qualificado que colabora para a otimização da linha de produção farmacêutica.
Todas estas grandes experiências não só serão de grande valia para o parque tecnológico de Salvador como para toda e qualquer iniciativa que pretenda inserir o Brasil no cenário mundial de ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Segundo Evandro Mirra6, que foi um dos palestrantes da terceira sessão plenária, dia 21, moderada por Armando Neto – superintendente do Instituto Euvaldo Lodi – os parques tecnológicos, dependendo do seu nível de maturidade e investimentos, podem possuir relevância local, regional, nacional ou mundial, como o Silicon Valley na Califórnia. E jamais deixarão de ser uma forma balizada e testada de fomentar e constituir com sucesso o desenvolvimento sócio-econômico e científico de um país.
E neste exato momento da edição deste artigo o CNPQ acaba de divulgar a lista dos 101 novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia aprovados que receberão verba do governo e já se tornarão realidade no país inteiro. Vide http://www.cnpq.br/resultados/2008/015.htm.